Movido Pela Eternidade - John Bevere - Capítulo 04

Atualizado: 14 de ago.

Leitura do livro - Por Rosaine Dalila Scruff

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John Bevere - Movido pela Eternidade
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Capitulo 4A


O ETERNO LAR DOS MORTOS

os próximos quatro capítulos, sairemos da alegoria e nos concentraremos nas verdades específicas reveladas pelo julgamento de Independente, Enganado, Enfraquecida e Vida Dupla. Então concluiremos a alegoria discutindo a respeito de Egoísta e Caridade, e, até o final do livro, nos concentraremos nas verdades reveladas por suas vidas. A melhor parte deste livro se concentrará nas recompensas eternas daqueles que seguem a Jesus Cristo.


A VERDADE FUNDAMENTAL

Em nossa alegoria, Jalyn representa Jesus Cristo e o Rei Pai é o Deus Pai Todo Poderoso. Dagon é Satanás; a vida em Endel representa a vida de um ser humano nesta terra; e Affabel reflete a cidade celestial de Deus. A terra abandonada de Lone representa o Lago de Fogo, onde cada indivíduo sem a graça salvadora de Jesus Cristo passará a eternidade. Os indivíduos abordados no capítulo anterior representam vários aspectos daqueles que serão condenados para sempre; a Palavra de Deus deixa isto muito claro.

Sim, você leu corretamente, condenados para sempre. Ao me preparar para escrever esta mensagem, tive dificuldade para encontrar a forma de levar você, leitor, a entender o que as Escrituras chamam de “juízos eternos”. Leia com atenção:

Por isso, prossigamos e ultrapassemos a fase elementar dos ensinamentos e da doutrina de Cristo (o Messias), avançando firmemente em direção ao que é completo e perfeito, e que pertence à maturidade espiritual. Que não estejamos novamente lançando o fundamento do... juízo e punição eternos. [Todas essas são questões sobre as quais vocês já deveriam estar plenamente inteirados há muito, muito tempo].

Hebreus 6:1-2, AMP

Como você pode ver, deixei as outras cinco doutrinas fundamentais, algumas das quais são o arrependimento de obras mortas e a fé em Deus, para enfatizar que o juízo e a punição eternos são ensinos elementares de Cristo.

Um dicionário define elementar como “constituindo a parte básica, essencial ou fundamental” 1. É a parte essencial que precisamos ter desde o princípio para construirmos sobre ela; é um fundamento. Para entender isto, considere o nosso sistema educacional. No ensino básico, recebemos as ferramentas básicas a serem utilizadas para a posterior edificação da nossa educação, como a leitura, a escrita e a aritmética.

Se esta base faltar, jamais teremos a capacidade de desenvolver uma educação adequada em nossa vida. O mesmo acontece com os crentes; se não tivermos os juízos eternos entendidos com clareza na nossa mente, não seremos capazes de construir uma vida adequada em Cristo. Seria como se tentássemos avançar em nossa educação sem saber ler.

Porém, descobri, depois de vinte anos viajando, que muitos – e incluo entre eles dedicados servidores de Jesus Cristo – não estão cientes a respeito dessas questões.

Observe que o escritor afirma: “Todas essas são questões sobre as quais vocês já deveriam estar plenamente inteirados há muito, muito tempo”. Ele não disse que devemos estar informados sobre estas questões, mas estarmos plenamente ou inteiramente cientes. As palavras “há muito, muito tempo” apenas enfatizam que essas questões são os fundamentos da nossa fé básica, como a capacidade de ler e escrever é na nossa educação.

Em breve veremos como “o juízo eterno” é uma doutrina elementar que devemos ter a fim de construir uma vida cristã saudável. Tenha isto em mente enquanto continua a leitura porque sem este entendimento poderá ser muito difícil absorver o que iremos abordar, e você poderá sucumbir diante do pensamento: O que isto significa?


INFERNO – FIGURATIVO OU REAL

Antes de começar a escrever, eu me debatia com este pensamento: Como posso informar a uma geração que “vive para o dia de hoje” a realidade das decisões eternas que em breve serão tomadas quanto às nossas vidas pelo Juiz do universo?

Após vários dias de esforço, em oração, veio-me o pensamento: Para comunicar verdades espirituais às mentes dos homens, Jesus contava estórias. Assim veio a idéia da alegoria de Affabel.

Ao escrever esta estória, quando cheguei ao julgamento daqueles indivíduos e sua punição eterna na terra de Lone, eu tremia por dentro. Na verdade, escrevi a parte final do capítulo anterior em um voo de volta para casa em um domingo à noite. Eu havia pregado por três vezes naquele dia; meus assistentes estavam dormindo profundamente, mas eu não conseguia parar de digitar. Ao chegar em casa, bem depois da meia-noite, não consegui dormir, temendo por todos aqueles que um dia se encontrarão em uma situação terrivelmente pior chamada o Lago de Fogo; e, segundo Jesus, eles serão a maioria.

Entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho fácil levam para o inferno, e há muitas pessoas que andam por esse caminho. A porta estreita e o caminho difícil levam para a vida, e poucas pessoas encontram esse caminho.

MATEUS 7:13-14, NTLH

Deitado na cama, refleti sobre alguns anos atrás quando fui convidado para pregar o evangelho em uma prisão de segurança máxima para homens na África do Sul. Lembro-me de ter entrado naquele lugar terrível; os odores, as condições de vida revoltantes, celas que detinham de vinte a trinta homens com camas separadas por apenas alguns centímetros, preservativos pendurados nas janelas, foram apenas alguns dos horrores que pude ver. Eu havia estado em diversas prisões ao ministrar na América, mas nunca havia visto condições de vida tão desesperadoras em minha vida. Comparadas a elas, as nossas prisões se pareciam com clubes.

Eu não poderia me imaginar vivendo naquele lugar abominável por uma semana, quanto mais por cinquenta anos (a maioria dos prisioneiros estava cumprindo prisão perpétua). Podia-se ver o total desespero no rosto daqueles que não eram crentes em Jesus. Eu quase podia ouvir o pensamento deles: Pelo menos um dia sairei daqui, quando morrer. Mas, por outro lado, eles estavam aterrorizados pela realidade desconhecida da morte. Realmente era um dilema terrível. Eles estavam em total desespero. Se você vivesse em um mundo livre, o que havia sido a realidade de todos eles, e tivesse de enfrentar aquele lugar pelo resto da vida, seria um absoluto tormento.

Enquanto estava ali, pensei que por mais terrível que fosse, aquele lugar era bonito se comparado ao inferno. Pelo menos aqueles presidiários tinham companheiros e a luz do sol passando por algumas janelas com barras de ferro naquela prisão. No inferno, não há companheiros nem luz; exceto pelo fogo que nunca se extingue. No Lago de Fogo, não há alívio, para todo o sempre; as almas ficarão em angústia perpétua! No inferno, as pessoas não podem pensar: Um dia sairei deste lugar. Elas receberam a punição eterna!

Por ser um de seus ensinamentos elementares, Jesus abordava o inferno com frequência, e com muito mais frequência do que o que se menciona hoje nos púlpitos.

Ele não via o fato de mencionar a descrição do inferno – inclusive o tormento, bem como o fato de que ele jamais terminava – como falta de compaixão. Em vez disso, ele via isso como algo essencial para nos alcançar como o Bom Pastor. O fato de mencionar e pregar sobre isto, portanto, era motivado pelo amor, pois tudo o que Ele fez e ensinou provinha de um coração cheio de compaixão. Então, minha pergunta é:

Será que hoje, estamos servindo da melhor forma às pessoas ao não mencionarmos isto

em nossos púlpitos? Será que isto é o verdadeiro amor?

Nas Escrituras, há vários nomes que são dados ao Inferno. Sheol (somente no Antigo Testamento), Hades e A Cova são alguns dos nomes dados às câmaras intermediárias da morte. Geena e o Lago de Fogo são os nomes dados ao inferno eterno. Discutiremos a diferença entre o intermediário e o eterno daqui a pouco.

As Escrituras nos dizem que o inferno é um lugar real, e não figurativo, como a nossa sociedade tentou disseminar. Em Números 16, a terra se abriu e três famílias foram engolidas fisicamente para dentro do Sheol diante de uma multidão de testemunhas. No Novo Testamento, somos informados, com relação ao anticristo e ao seu falso profeta: “Os dois foram lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxofre” (Apocalipse 19:20, AMP). Eles não morreram e somente suas almas foram lançadas naquele lugar; em vez disso, seus corpos físicos e suas almas foram lançados no Lago de Fogo.


LÁZARO E O HOMEM RICO

No Evangelho de Lucas, Jesus nos conta sobre um incidente real, de um homem rico que vivia unicamente para si mesmo, ignorando um mendigo que ficava deitado diariamente à porta de sua casa. Sabemos que isto não é uma parábola porque Jesus abre a história com: “Havia um certo homem rico”. Em segundo lugar, ele usa o nome de Abraão e dá um nome específico ao mendigo, Lázaro. Não era costume de Jesus dar os primeiros nomes ou mencionar pessoas reais em Suas parábolas.

Depois que ambos morreram, Lázaro foi levado pelos anjos para o seio de Abraão (que era a área de conforto para os Santos do Antigo Testamento aguardarem, até que Jesus abrisse o caminho para eles entrarem na presença de Deus no céu). O homem rico morreu e encontrou-se no Hades. Lemos:

Ele sofria muito no mundo dos mortos. Quando olhou, viu lá longe Abraão e Lázaro ao lado dele. Então gritou: “Pai Abraão, tenha pena de mim! Mande que Lázaro molhe o dedo na água e venha refrescar a minha língua porque estou sofrendo muito neste fogo!”

LUCAS 16:23-24, NTLH


Observe que o homem rico estava sofrendo muito. Outras traduções usam as palavras agonia, angústia e tormento. Em outras palavras, o sofrimento era muito grande. O inferno é um lugar de sofrimento consciente. Observe também que ele reconheceu Abraão, assim como Lázaro, e eles também puderam reconhecer o homem rico. As pessoas são seres humanos perfeitos no inferno; elas ainda têm as suas capacidades de raciocínio, suas emoções, sua vontade, suas características físicas, assim como os seus sentidos. Aquele homem podia ver, ouvir e sentir dor. Eles também têm um certo tipo de carne; você pode ver o desejo intenso do homem rico de esfriar apenas a sua língua.

Jesus disse que tanto o corpo quanto a alma são eternamente destruídos no inferno (Mat.10:28). Em outras palavras, a carne das pessoas será continuamente afligida e mutilada por suas chamas e vermes.

Observe também que o homem rico está implorando por misericórdia, assim como aqueles que estão implorando por misericórdia na masmorra de Lone na nossa estória.

O inferno é um lugar de onde não existe saída, para sempre! Ninguém nunca irá até lá para consolar os habitantes desse terrível lugar, embora isto seja esperado com ansiedade. Parece também que esta realidade nunca é entendida completamente. Pois Abraão teve de lembrar àquele homem rico: “Há um grande abismo que nos separa.

Qualquer pessoa que queira ir daqui até vocês [para levar consolo] é impedida à beira do mesmo, e ninguém daí pode atravessar até nós” (Lucas 16:26, NLT, ênfase do autor).

Conheço uma pessoa que teve a experiência de ir até o inferno; mais tarde, ela relatou que todos a quem viu gritavam que era além do que podiam suportar. Isso é exatamente o que você ouve aquele homem rico clamar no versículo acima. Prosseguindo com a leitura:

Mas Abraão respondeu: “Meu filho, lembre que você recebeu na sua vida todas as coisas boas, porém Lázaro só recebeu o que era mau. E agora ele está feliz aqui, enquanto você está sofrendo...” O rico disse: “Nesse caso, pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar de sofrimento”.

LUCAS 16:25, 27-28, NTLH


Você já ouviu o velho ditado: “A infelicidade gosta de ter companhia”? Por que ele não se aplica neste caso? Por que aquele homem rico não queria que outras pessoas estivessem ali com ele? A resposta é porque no inferno não existe companheirismo ou comunhão. Alguns pensam que no inferno haverá festas; outros acham que apreciarão a companhia de seus amigos. Se fosse assim, ele iria desejar que seus amigos mais chegados se juntassem a ele, porém, estava desesperado para ter certeza de que eles não fossem parar naquele lugar de tormento. O inferno é um lugar de total solidão e desesperança. Também é um lugar de lembranças eternas, o que eu pessoalmente creio ser um dos seus grandes tormentos.

Veja como Abraão responde ao seu pedido por seus irmãos:

Mas Abraão respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!” “Só isso não basta, Pai Abraão!” respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados”. Mas Abraão respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite”.

LUCAS 16:29-31, NTLH


Há uma verdade muito poderosa transmitida aqui. Muitos gostariam de ter experiências extraordinárias para poderem provar a si mesmos ou aos outros a validade do Evangelho. Mas Jesus nos mostra que nada é maior que a Palavra de Deus para produzir a convicção necessária para seguir a Deus completamente até o fim. Não me entenda mal – a maioria das pessoas ficaria chocada e mudaria por algum tempo, mas não seria convencida permanentemente em seu coração pelas experiências.

Quando eu era um adolescente inconsequente viciado em festas, meu pai levou-me para ver o filme Os Dez Mandamentos, estrelado por Charlton Heston. Lembro-me claramente de ter fixado meus olhos naquela grande tela quando a terra se abriu para engolir as pessoas para o inferno; aquilo me abalou tremendamente. Saí daquele cinema, e minha vida mudou. Endireitei-me e comecei a me portar de um modo diferente por cerca de uma semana, apenas para voltar aos meus antigos hábitos depois de um tempo. Por quê? Porque eu não tinha ouvido a Palavra de Deus, me arrependido dos meus caminhos, e comprometido minha vida inteiramente com Jesus para que a Sua graça me transformasse.

Meus amigos e eu tivemos outras experiências extraordinárias que também me abalaram, mas não fui transformado por nenhuma experiência sobrenatural. Somente quando um de meus colegas da faculdade veio ao meu quarto e me apresentou a Palavra de Deus através do Evangelho de Jesus Cristo foi que minha vida foi transformada. Pois nos é dito especificamente: “E assim a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos 10:17); e “Vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da Palavra de Deus, viva e permanente” (1 Pedro 1:23, NVI). Por esta razão, é tão importante ensinarmos e pregarmos a Palavra de Deus, e não apenas as nossas experiências.

Por outro lado, depois de esclarecer isto, deixe-me agora enfatizar este fato: Se as experiências complementarem ou ajudarem a enfatizar a Palavra de Deus, elas são tremendas, e até necessárias. Os testemunhos têm um papel enorme na transmissão do Evangelho, mas é a Palavra de Deus recebida e crida que nos fará viver para sempre.


“POR QUE ESTOU INDO NESTA DIREÇÃO?”

Portanto, permita-me agora compartilhar um testemunho que complementa o que vimos até agora nas Escrituras. Certa noite, minha esposa e eu estávamos sentados na sala de visitas da casa de um amigo, enquanto ele compartilhava conosco o que lhe havia acontecido quando jovem. Ele foi criado no Caribe, e durante a estação das chuvas caiu em um poço que era usado para recolher água da chuva para construções. O irmão dele saltou ali dentro e tentou tirá-lo, mas não conseguiu, então saiu para pedir ajuda, pois o nosso amigo não sabia nadar. Quando o socorro chegou, ele já estava morto havia cerca de meia hora.