Movido Pela Eternidade - John Bevere - Capítulo 03

Leitura do livro - Por Rosaine Dalila Scruff


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John Bevere - Movido pela Eternidade
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O DIA DO JUÍZO I

Capitulo 3A


Jesus usava sempre estas ilustrações quando falava ao povo, pois os profetas disseram que Ele usaria muitas. Ele nunca falava sem contar pelo menos uma ilustração. Tinha sido profetizado: “Eu falarei por meio de ilustrações; explicarei mistérios escondidos desde o princípio dos tempos”.

Mateus 13:34-35, NVI

Grande Salão era mais espetacular do que qualquer coisa que Independente jamais havia imaginado encontrar. Se ele tivesse a chance de contar a experiência às outras mil e quinhentas pessoas que ainda estavam aguardando, ele não teria palavras nem critério de referência para descrever a sua grandeza. Sua arquitetura tornava tudo o que ele conhecia em Endel obsoleto. O auditório estava cheio possivelmente com cem mil pessoas que aguardavam. Ele nunca havia visto tantas pessoas em um só lugar ao mesmo tempo.

Ao se aproximar, Independente teve um vislumbre do conjunto de cidadãos de Affabel.

Primeiro, ele observou que eles eram seres reais com rostos radiantes. Depois, ele ficou desconcertado com sua beleza impressionante. Era como se eles fossem de um outro mundo (Essa transformação em seus corpos acontecia porque a todos eles era permitido comer da árvore da vida). Ele se perguntou: Será possível que estes sejam ex-endelitas? Então, ele viu alguém conhecido. O nome dela era Bondade. Ela era alguns anos mais velha do que ele, e ele se lembrava de como ela era constantemente ridicularizada por sua aparência sem atrativos. Agora ela estava esplêndida. Seus traços eram os mesmos, o que fazia com que ela fosse reconhecida, mas de algum modo ela agora era mais bonita do que qualquer pessoa que ele havia conhecido em Endel.

Na verdade, todos a quem ele olhava, até o menos favorecido em beleza, era muito mais atraente do que qualquer pessoa que ele havia visto.

Após recuperar-se deste choque inicial, ele percebeu que todos que aguardavam estavam concentrados em uma área bem à frente dele. Era diferente de qualquer coisa que ele já havia visto. Era um trono. Mas esta descrição não fazia justiça a ele, pois era realmente um trono extremamente glorioso. Seus olhos caíram sobre aquele que estava sentado sobre ele, e em um instante ele percebeu a fonte de toda a majestade da cidade.

Toda ela vinha dele. Este deve ser Jalyn, pensou Independente. De repente, ele acreditava profundamente naquele a quem havia negado tão enfaticamente.

As feições de Jalyn eram belas porém severas, pelo menos naquele momento – maravilhosas mas assustadoras seria uma descrição mais precisa. Toda a sua aparência era fascinante, porém, a cada passo que Independente dava em direção a ele, o terror crescia firmemente em seu coração. Qualquer vestígio de confiança que ele pudesse ter tido agora desaparecera completamente. O que seria dele? Independente tentava manter a compostura repetindo para si mesmo que estava se aproximando de um líder misericordioso. Ele estava em conflito porque estava começando a duvidar de que receberia uma sentença favorável.

Enquanto ele continuava a se aproximar, foi-lhe ordenado que permanecesse em uma plataforma estreita na metade do caminho para cima. Elevando-se acima dele, em seu trono, estava Jalyn. Ele era a essência de alguém que é resoluto em seus propósitos e dirigiu-se à assembléia:

“Todos... reconhecerão e saberão que Eu Sou aquele que sonda mentes (os pensamentos, sentimentos e propósitos) e [o profundo dos] corações, e vos darei a cada um [a recompensa pelo que fizeram] segundo as vossas obras”.

Apocalipse 2:23, NVI

Independente estava ouvindo com os outros, quando de repente Jalyn olhou-o diretamente nos olhos e disse: “Preste-me contas da sua mordomia”.

Antes que Independente pudesse pronunciar uma palavra, uma enorme tela acima do trono começou a exibir um retrospecto de sua vida em Endel desde o primeiro dia na escola até o dia anterior. Cada ato, palavra e motivo era exibido e revelado àquela multidão de testemunhas. Ele estava impressionado com esta revelação que agora tinha de Jalyn. “E não há criatura que não seja manifesta na Sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão abertas e expostas, nuas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.

Independente encolhia-se ao ver os seus atos insensatos, maus e egoístas serem exibidos. Deparar-se com tudo aquilo diante de uma assembléia tão grande era algo imprevisto, constrangedor e chocante. O que parecera insignificante e até inofensivo em Endel, agora parecia terrível diante daquele glorioso juiz e dos cidadãos reais de Affabel. Ele estava aterrorizado com o seu próprio comportamento. Como ele pôde ter sido tão mal direcionado, tão insensível, tão tolo? Ele esforçou-se por encontrar um vislumbre de esperança; ele achava que havia mais atos bons do que maus.

Quando o filme de sua vida terminou, ele sentiu-se aliviado, embora esperasse uma terrível repreensão e algum tipo de punição. Ele ficaria feliz em ser o último daquela assembléia. Ele estava certo de que Jalyn veria que o seu lado bom superava o seu lado mau.

Jalyn então perguntou ao Chefe dos Escribas: “O nome de Independente está escrito no

Livro da Vida?”

Sem hesitar, o Chefe dos Escribas respondeu: “Não, meu Senhor”.

Então Jalyn falou: “Independente, você é culpado por escolher uma natureza maligna e deve ser levado à terra abandonada de Lone para passar o resto de sua vida no tormento das trevas, desespero e solidão absoluta”.

Chocado, Independente clamou: “Senhor, por quê?”

“Você não acreditou em mim”, respondeu Jalyn; “Seus professores o ensinaram: ‘Se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados’3; e eles também ensinaram:

‘E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro

nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos’”.

Independente continuou: “Mas Senhor Jalyn, e quanto às minhas boas obras? Elas não foram maiores que as más?”

O Senhor Jalyn respondeu: “Não se trata de você quebrar a lei muito ou pouco, pois ‘a pessoa que guarda todas as leis de Deus, mas comete um só pequeno deslize, é tão culpada quanto a pessoa que quebrou todas as leis que existem’.

Independente reuniu um pouco de ousadia e respondeu: “Então, como pode alguém ser salvo?”

Jalyn não respondeu imediatamente à sua pergunta, mas em vez disso, lançou um olhar sobre uma cidadã de Affabel que parecia ser uma sub-governante de Jalyn, pois sentava-se em um trono semelhante, porém menor. A mulher disse: “Os seus professores não lhe disseram que ‘Jalyn salvou vocês por seu favor especial quando vocês creram.

E vocês não podem receber o crédito por isso; é um dom de Jalyn’? A salvação não é uma recompensa pelas boas coisas que fizemos, para que nenhum de nós possamos nos gabar disto”.

Jalyn continuou dizendo: “Há muito tempo, paguei o preço pelas leis que foram e que seriam quebradas pelos cidadãos. Era impossível qualquer pessoa deixar de pecar contra mim ou redimir-se a si mesma por suas traições, mas porque eu amei a todos, eu paguei pessoalmente o preço. Então, a minha salvação é um dom que não pode ser conquistado; você não poderia ter feito boas ações suficientes para merecer a cidadania em Affabel. Ela vem quando alguém crê em mim. Mas você rejeitou o que eu fiz para salvar a sua vida”.

Atônito, Independente ficou em silêncio por alguns instantes, e depois respondeu com seriedade: “Entendo”.

Ele sentiu-se como se estivesse a ponto de afogar-se em um mar de desesperança.

Buscando algo em que pudesse se agarrar, ele questionou: “Então, tudo o que fiz foi por nada?”

Jalyn respondeu: “Mais uma vez está escrito: ‘Porque os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, nem são lembrados. O que quer que tenham feito durante sua vida – amar, odiar, invejar – há muito já ficou para trás. Eles não têm coisa alguma’”. E novamente: “Porque o maligno não terá bom futuro; e a lâmpada dos perversos se apagará”.

Independente foi pego de surpresa pelas palavras de Jalyn e permaneceu mudo. Ele lamentou todas as aulas que deixou de frequentar. Talvez se ele tivesse comparecido, ele poderia ter ouvido a verdade e não ter cometido esse erro fatal com sua vida.

Nos momentos de silêncio que se seguiram, outro pensamento lhe veio à mente. Foi o pensamento com o qual ele havia se consolado o dia inteiro; ele reuniu sua coragem novamente: “Sim, o que disseste é verdade, mas, Jalyn, tu és um rei misericordioso!

Como podes me mandar embora se isto é verdade?”

Jalyn respondeu: “Sou um rei misericordioso, e é exatamente por isto que o estou mandando embora. Por ter escolhido gastar o seu tempo em Endel da forma que você escolheu, você escolheu permanentemente a sua natureza, que é a de Dagon, o senhor das trevas. Como eu poderia ser misericordioso, verdadeiro e amoroso, se permitisse que a sua fibra de imoralidade poluísse a pureza desta grande cidade? Eu colocaria os inocentes de Affabel no caminho do perigo. A natureza que você escolheu logo se manifestaria e assim corromperia milhares de vidas puras. Você escolheu o seu próprio caminho. Você será recompensado por isto exatamente como aquele a quem você seguiu, Dagon. Se eu der a você menos do que dei a ele, então eu seria um líder injusto, e isto eu não sou!”

Jalyn então dirigiu-se a toda a assembléia e citou o antigo ditado de seu pai: “O que despreza a Palavra a ela se apenhora, mas o que teme o mandamento será galardoado”.

O que ocorreu em seguida deixou a assembléia com uma atmosfera solene. “Então ordenou o réu aos serventes: ‘Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes’. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.

Gritos de horror e a agonia do pavor tomaram conta de Independente enquanto ele era amarrado pelo Chefe da Guarda e levado em direção à porta lateral do auditório. Não se ouvia um único som entre os milhares que aguardavam. Eles contemplavam com tristeza enquanto alguém que havia desperdiçado sua vida de forma tão insensata era levado para a sua punição eterna.

Ao sair do prédio, ele foi colocado em outra grande sala de espera. Ali havia milhares de celas com grades brancas, onde ficavam os condenados até que o número de todos os que seriam sentenciados ao exílio estivesse completo. Acima da entrada para esta área, estavam escritas as seguintes palavras:

Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras (no sangue do Cordeiro), para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.

Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira.

Apocalipse 22:14-15

Independente olhou para as palavras; a raiva cresceu dentro dele. Ele agora estava sob a total influência de sua natureza. Qualquer bem que houvesse em seu caráter antes agora havia sido inteiramente engolido pela própria fibra moral que ele escolhera. Seu comportamento deteriorou-se rapidamente para o de um cachorro louco. Sem a influência do rei, ele foi inteiramente entregue a uma mentalidade condenável.


ENGANADO DIANTE DE JALYN

Algumas horas se passaram. Muitos já haviam sido chamados para fora do Salão da Justiça; ainda aguardando entre as poucas centenas que restavam, encontravam-se Enganado, Enfraquecida e Vida Dupla. Enganado ainda exibia uma atitude otimista, e seu comportamento mantinha os outros esperançosos também.

As portas se abriram e os quatro guardas reais novamente apareceram, desta vez chamando por Enganado. A tensão tomou conta dele, e ele começou a tremer; sua hora havia chegado. Para disfarçar seu nervosismo, o que ele era bom em fazer, disse aos que ainda ficavam: “Bem, rapazes, o meu número chegou!”

Depois de ser informado a respeito do protocolo, as portas que davam para o Salão do Julgamento se abriram e Enganado foi escoltado pelo corredor principal. Ele experimentou sentimentos semelhantes aos de Independente. Assim como ele, viu o tamanho e a beleza do salão e as fisionomias dos cidadãos. Enquanto caminhava pelo corredor, reconheceu várias pessoas que havia conhecido na Escola de Endel e que haviam se formado um ou dois anos antes dele. Ele reconheceu mais cidadãos do que Independente, já que Enganado quase nunca perdeu uma reunião da escola.

Uma pessoa que ele reconheceu entre os cidadãos de Affabel e que não assistia às aulas foi um homem chamado Impiedoso. Ele era conhecido como um dos mais notórios homens maus da comunidade de Endel. Enganado parou bruscamente perguntando-se: O que ele está fazendo aqui? O Chefe da Guarda fez um sinal para Enganado indicando que ele poderia falar com aquele homem.

Enganado foi até ele e perguntou: “Você é Impiedoso?”

O homem respondeu: “Um dia fui conhecido como Impiedoso, mas o Senhor Jalyn mudou o meu nome no Trono do Julgamento para Reconciliado”.

Enganado perguntou: “Como você veio parar aqui, em Affabel? Você era considerado um homem mau pela maioria das pessoas da nossa comunidade. Você nunca foi à escola e você se opunha a Jalyn mais do que qualquer pessoa que eu conheça!”

Reconciliado respondeu: “Sim, é verdade; mas eu odiava ser quem era e fazer o que fazia. Como não frequentei a escola, eu nunca havia ouvido a palavra transformadora de Jalyn. Entretanto, uma semana antes do dia do meu julgamento, fui comer no restaurante de Caridade. Ela sabia que a minha vida era um fracasso, e de algum modo, detectou a minha dor. Ela pagou o meu jantar com uma condição, a de que eu ficasse e conversasse com ela. Então, ela passou duas horas falando-me a respeito de Jalyn, de sua bondade, de sua salvação, e deste lugar chamado Affabel.

Reconciliado continuou: “Ela explicou que não era tarde demais para que eu entregasse a minha vida a este grande líder. Eu ainda podia ser perdoado incondicionalmente e aceito como cidadão do seu reino. Fui dominado pelo amor de Jalyn e comprometi o resto de minha vida ao seu senhorio. Embora eu só tenha podido servi-lo por uma semana em Endel, eu o fiz de todo o coração. Procurei aqueles a quem eu havia oprimido ou de quem havia roubado, e pedi que eles me perdoassem. Devolvi mais do que lhes havia tirado”.

Enganado estava sem fala. Ele olhou novamente para o guarda, que assentiu afirmativamente. Reconciliado então voltou ao seu lugar, e Enganado continuou andando em direção ao trono.

Enquanto caminhava, ele não podia deixar de ponderar sobre o que acabara de ouvir. Ele havia ouvido falar da grande misericórdia de Jalyn, mas agora havia testemunhado isso de uma forma incrível. Aquele homem havia sido uma das piores pessoas que ele já havia conhecido, e agora ele era tão parte da realeza quanto os demais. Enganado estava convencido, mais do que nunca, de que obteria o favor de Jalyn, pelo fato de crer nele de uma maneira tão forte.

Quando Enganado apresentou-se diante do trono, recebeu a mesma ordem de Independente: “Preste-me contas da sua mordomia”.

Assim como Independente, ele testemunhou sua vida na grande tela, desde o primeiro dia de escola até o dia anterior. Que alívio ver a sua fiel frequência à escola e o seu apoio aberto a Jalyn diante da assembléia. No entanto, logo ele ficaria horrorizado. Seu estilo de vida o acusava. Ele havia justificado o seu comportamento, mas quando veio à luz diante deste majestoso juiz e destas testemunhas moralmente puras, ficou constrangido e envergonhado. Quando a revelação de sua promiscuidade sexual foi levada ao conhecimento daquela assembléia real, ele desejou rastejar até um buraco e esconder-se.

Não apenas os seus atos foram trazidos à luz, como também os seus motivos e intenções. Como Jalyn podia saber dessas coisas? Como ele podia julgar Enganado por coisas que ninguém sabia? Seus segredos mais íntimos já não estavam mais ocultos.

Toda a assembléia assistiu à sua luxúria por ganho nas suas transações de negócios, nas vendas de suas casas, e no desenvolvimento de terras. Eles viram a difamação e a mal