Movido Pela Eternidade - John Bevere - Capítulo 02

Leitura do livro - Por Rosaine Dalila Scruff


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John Bevere - Movido pela Eternidade
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Capitulo 2A

O REINO DE AFFABEL – A VIDA EM ENDEL

Assim lhes ensinava muitas coisas por parábolas

(ilustrações ou comparações colocadas ao lado de verdades para explicá-las),

e no decorrer do seu ensino, Ele lhes disse...

Marcos 4:2 (AMP)


Era uma vez um mundo semelhante ao nosso, porém, de muitas formas, diferente.

Nesse mundo não havia nações independentes, somente um grande reino chamado Affabel. Esse reino cobria todo o mundo conhecido, mas tinha uma única capital de onde tudo era governado. Era A Grande Cidade de Af abel, à qual nos referiremos daqui em diante simplesmente como Affabel.

Esta cidade encantada era presidida por um rei notável chamado Jalyn. O rei Jalyn era adorado e grandemente admirado por seus súditos. Ele liberava um amor tão profundo que parecia inextinguível. Ele era forte e sábio, mas ao mesmo tempo gentil e de riso fácil. Embora sua postura fosse real, Jalyn também era muito agradável. Estar com ele era estar cercado de uma atmosfera de bondade. Sua presença levava cada aspecto da vida a um nível mais alto. Sua visão e seu poder de prever o futuro eram tremendos, e ele tinha uma capacidade misteriosa de ver além das atitudes das pessoas, chegando aos verdadeiros motivos do coração delas.

O pai de Jalyn, que fundara Affabel, era conhecido como Rei Pai Fundador. Quando a ordem foi estabelecida, ele passou toda a responsabilidade às mãos de seu filho. Os habitantes desta grande cidade ajudavam a administrar o governo de Jalyn nos territórios remotos do reino e isto era realizado através de um sistema hierárquico de autoridade e liderança a partir da cidade governante.

A cidade era enorme - seu território alcançava aproximadamente 400 quilômetros quadrados. Ela era tão bem planejada que, embora tivesse alta densidade demográfica, nunca parecia estar superlotada. Havia um composto de subúrbios, residências urbanas e vilas. As localizadas nos planaltos, que estavam voltadas para a extremidadeocidental de Affabel, eram as casas modestas dos trabalhadores (Essas casas modestas seriam consideradas mansões em nosso mundo!). Ainda que o trabalho fosse árduo, aqueles habitantes estavam gratos simplesmente por morarem na cidade do rei. Os terrenos montanhosos das fronteiras do norte e do sul eram o lar dos artesãos. Eram aqueles habilitados nas artes criativas da música, da escrita, das obras de arte e do design. Essas casas tinham belas vistas e eram maiores que as dos trabalhadores.

A parte mais convidativa da cidade era o bairro oriental, que abrigava uma infinidade de belas casas de campo. Esta área era conhecida como o Centro Real. Nesta grande comunidade o rei residia e passava a maior parte do seu tempo, e era o lar daqueles que trabalhavam mais próximos ao monarca. Era ali que a sua administração e os seus líderes viviam em sociedade e trabalhavam juntos. O Centro Real estava incrustado como uma jóia sobre um rochedo que dava para as costas do Grande Mar. Uma suave brisa constante soprava do oceano azul e refrescava a cidade. Essas águas eram ornadas pelas praias brancas mais cristalinas jamais vistas, só ultrapassadas em beleza pelos jardins reais. Esses jardins se entrelaçavam por todo o Centro Real. Era sem dúvida o lugar mais desejável para se morar. Cada casa só era ultrapassada em elegância pelo palácio real.

No meio de Affabel ficava a árvore da vida. Somente os súditos do rei tinham o privilégio de provar de seu fruto maravilhoso. O fruto não era apenas delicioso e belo de se olhar; ele tinha em sua consistência perfumada um poder milagroso.


A COMUNIDADE DE ENDEL

A oeste das planícies de Affabel ficava o Deserto Exterior, que se expandia por quase 90 quilômetros até o Grande Rio Adonga. Uma vez atravessado o Adonga, você se achava em outra parte do reino, Endel. Ao nascerem, os filhos dos cidadãos de Affabel eram levados imediatamente para a província de Endel. Antes que a primeira semana deles terminasse, eram confiados aos cuidados das Enfermeiras do Rei. Quando estes jovens cidadãos, ou endelitas, atingiam a idade de cinco anos, eram levados para a Escola de Endel, onde recebiam treinamento durante um período de dez anos. Ali aprendiam os caminhos de Affabel e do grande rei Jalyn. Somente as Enfermeiras do Rei e os Mestres da Escola haviam tido a oportunidade de encontrar-se com Jalyn. A cada cinco anos, mais ou menos, ele visitava Endel secretamente a fim de verificar a escola e os alunos. Embora ele nunca informasse à população a respeito de sua presença, ainda assim, por toda Endel, sua bondade ficava evidente em cada aspecto da comunidade.

Os dez anos na Escola de Endel destinavam-se a preparar os alunos para a vida que teriam à frente. Com a idade de quinze anos, tinham um curto período para aplicar tudo o que haviam aprendido. Nesse espaço de tempo, eram confiadas a eles certas porções de riqueza e responsabilidade. A forma como eles administravam suas jovens vidas e seus recursos determinavam como e onde passariam o tempo que lhes sobrava, o que, no mundo deles, chegava até os cento e cinquenta anos. O período de teste era de exatamente cinco anos; nenhum dos alunos, porém, tinha conhecimento de sua duração.

Tudo o que lhes era dito era que esse tempo não ultrapassaria dez anos. Ao final desse período, cada um deles compareceria diante do rei para prestar contas de suas escolhas de vida.

Esse período de teste determinava o nível de lealdade deles. Aqueles que seguiam as leis de Jalyn com palavras e atos reconheciam a sua liderança. Esses eram admitidos como habitantes de Affabel e suas escolhas lhes garantiam as respectivas recompensas.

Se, entretanto, durante o período de teste, eles se rebelassem e vivessem somente para si mesmos e de acordo com suas próprias regras, eram exilados para a terra de Lone.

Essa era uma terra deserta de profunda escuridão, onde reinavam a solidão e a desesperança. Em Lone, eles sofriam tormentos e ficavam aprisionados durante toda a sua vida.

A primeira pessoa a ser banida para essa terra desolada foi Dagon, que tornou-se o senhor das trevas de Lone e seu fundador. Apesar de ter se rebelado contra Jalyn muitos anos antes, sua influência ainda pairava sobre a terra de Endel. Os habitantes de Endel que reconheciam o senhorio de Jalyn conseguiram se libertar do poder negro de Dagon, mas aqueles que se recusaram a servir a Jalyn permaneciam sob a jurisdição deste soberano caído.

A fim de isolar qualquer nova infiltração das trevas no reinado de Jalyn, este foi compelido a estabelecer um decreto para proteger tanto a integridade quanto a infraestrutura social de Affabel. Todos os que seguiam os caminhos de Dagon e se recusavam a reconhecer Jalyn como rei por palavras e ações eram banidos pelo resto de suas vidas para a terra de Lone.

Assim começa a nossa história. Acompanharemos a vida de cinco estudantes de Endel: duas moças e três rapazes. Seus nomes são: Independente, Enganado, Enfraquecida, Egoísta e Caridade. Deixe-me apresentar cada um deles.


INDEPENDENTE

Independente questiona constantemente a existência de Affabel. Ele realmente não consegue acreditar que alguém que ele nunca viu ou conheceu chamado Jalyn possa exigir não somente a sua lealdade, como também o cumprimento rígido de uma série de normas. Ele suspeita que isto seja um esquema para mantê-lo (e aos outros) sob o controle dos mestres. Com descaso, ele se recusa a assistir às aulas e a aprender a respeito desse reino imaginário.

Independente ridiculariza os outros por acreditarem nessa bobagem. Ele pretende viver como acha melhor e permanecer livre das leis de Jalyn. A única exceção será quando esses decretos atenderem aos seus propósitos, então, ele aderirá a eles, mas somente por escolha própria. Ele não tem escrúpulos quanto a deixar que os outros saibam que ele não está disposto a entregar sua vida à vontade de outra pessoa.


ENGANADO

Enganado não questiona a existência de Affabel. Ele acredita no Rei Jalyn e até tem prazer nas suas promessas. Ele concorda mentalmente e verbalmente com os ensinamentos e as regras, porém uma grande parte do seu estilo de vida entra em conflito com esses ensinamentos. Ele celebra a sua lealdade ao Rei e aos seus ensinamentos, e participa das atividades da escola quando elas são agradáveis, mas quando não vê nenhum benefício próprio, seu ponto de vista muda rapidamente. Seu estilo de vida é contrário ao de um verdadeiro seguidor de Jalyn, e devido à sua forte personalidade, ele sutilmente atrai outras pessoas para o seu estilo de vida. Ele nunca para realmente para refletir no período de teste e julgamento que está para acontecer.


ENFRAQUECIDA

De todos os alunos, Enfraquecida é a mais entusiasmada. Ela fala com fre- quência nas aulas, e tira seguidamente as melhores notas. Ela é muito ativa e geralmente é quem toma a iniciativa em atividades extracurriculares para ajudar a promover o envolvimento dos alunos na comunidade. Qualquer pessoa que avalie os alunos diria que ela é a mais apaixonada pela causa de Jalyn.


EGOÍSTA

Egoísta também acredita em Jalyn e nos seus ensinamentos. Ele não duvida da existência de Affabel e é bastante articulado também. Ele acredita que Jalyn é um governante tão maravilhoso e um juiz tão bondoso que será benevolente com todos que professam lealdade a ele. Mas ele está concentrado na sua percepção limitada dos ensinamentos e do caráter de Jalyn. Ele se esqueceu que Jalyn é um líder justo e santo bem como amoroso e misericordioso. Assim, Egoísta desenvolveu uma visão distorcida de quem Jalyn realmente é. Ele acredita que Enganado, Enfraquecida e Caridade sem dúvida farão parte do seu glorioso reino, embora tenha algumas preocupações acerca da resistência obstinada de Independente.

Egoísta acredita que todos os que reconhecem Jalyn verbalmente e vivem uma vida que não violente nenhuma lei principal terão direito à entrada em Affabel. Entretanto, de acordo com o seu nome, ele é altamente egocêntrico, e geralmente o bem que faz é movido por benefício pessoal. Algumas vezes ele é movido por compaixão, mas quando as coisas ficam difíceis, Egoísta sai em busca do seu próprio interesse pessoal.


CARIDADE

A nossa última jovem, Caridade, é alguém que ama e obedece a todas as leis do Rei Jalyn. Ela não só aprendeu os princípios dele, como também busca conhecer o coração que se esconde atrás de cada decreto. Ela passa muito tempo buscando conhecer e compreender a vontade de Jalyn. Isso significa longas horas de estudo e uma dedicação liberal ao bem da escola e da comunidade de Endel. Ela sabe que quando atingir a idade de quinze anos, terá pouco tempo para executar os desejos do grande rei em Endel. Seu objetivo é viver unicamente para a glória de Jalyn, e ela não permitirá que aquilo que a beneficiaria se intrometa no caminho para o seu propósito principal.

Caridade ama Jalyn e anseia pelo dia em que se encontrarão. Ela o obedece fervorosamente e frequentemente fala aos outros sobre a sua bondade. Por isto, ela é frequentemente ridicularizada e isolada. Embora ela tenha sofrido por causa de sua postura de lealdade inabalável às leis de Jalyn, nada a impedirá de ser fiel ao rei.


OS FORMANDOS

Todos estes cinco endelitas chegaram aos quinze anos. O dia marcado chegou, e eles se formaram juntamente com duzentos outros alunos. Cada um deles recebeu uma missão específica e uma soma inicial correspondente de dinheiro. Esse valor foi predeterminado por Jalyn e foi distribuído pelo diretor da escola por ocasião da formatura. Entre os nossos cinco alunos, a distribuição foi a seguinte: Independente recebeu cinquenta e cinco mil dólares; Enganado e Enfraquecida receberam quarenta mil dólares cada; Egoísta recebeu o maior valor, setenta e cinco mil dólares; e, finalmente, Caridade recebeu vinte e cinco mil dólares. Com seu dinheiro em mãos, os jovens cidadãos foram liberados com algumas instruções finais.


O VENDEDOR

Independente imediatamente foi a uma festa celebrar a sua liberdade recentemente adquirida. Embora ele raramente frequentasse as aulas, ainda se sentia como se elas estivessem pairando sobre sua cabeça. Ele havia ouvido algumas das leis de Jalyn nas poucas ocasiões em que havia frequentado as aulas. Algumas vezes ele havia se perguntado se talvez uma parte daquilo era verdade. Em caso positivo, ele se perguntava se o seu mau comportamento afetaria o quanto ele receberia por ocasião do término de sua educação.

Independente está impressionado com a quantidade de dinheiro que recebeu, embora ele tivesse transgredido as regras da escola. Ele havia recebido quinze mil dólares a mais que Enfraquecida e mais do dobro de Caridade. Ele pensou: Que desperdício!

Caridade e Enfraquecida desperdiçaram o tempo delas naquelas aulas inúteis e incluíram tantas horas extras, e agora elas têm pouco para mostrar como resultado.

Esta dinâmica na verdade confirmou a sua convicção de que Jalyn não existia. Ele raciocinou que seus pais, que haviam desaparecido há tantos anos, haviam deixado o dinheiro. Isto, agora, ampliava a sua visão de que era tudo um engano da escola para controlar suas vidas jovens e impedi-los de serem livres-pensadores independentes.

Depois de algumas semanas de comemoração, Independente percebeu que tinha de estabelecer um negócio. Ele já havia gasto parte de seu dinheiro mais rápido do que pretendia. Iniciou um negócio de venda de veículos e descobriu que era um grande vendedor. Os negócios iam incrivelmente bem. Muitos dos recém-formados utilizaram parte de seu capital inicial para adquirir carros usados e até mesmo novos de Independente. Quando suas finanças se multiplicaram, ele se expandiu, dedicando-se a outros empreendimentos, nos quais também obteve sucesso. À medida que seus bens aumentaram, ele expandiu e aperfeiçoou o seu estilo de vida pessoal. Ele percebeu rapidamente que o dinheiro era uma fonte de influência impressionante, e parecia ter o poder de comprar a felicidade. Sua riqueza, suas posses, e seu estilo de vida rapidamente elevado tinham o poder de atrair mulheres, o que tornava a vida ainda mais revigorante.

Independente não frequentava as reuniões semanais da comunidade. Mas ele ainda era considerado um cidadão muito bom pela maioria, porque eles apreciavam o apoio que ele dava aos projetos comunitários. Parecia que a vida não poderia ficar melhor para este endelita que trabalhava duro.


O CONSTRUTOR E EMPREENDEDOR

Enganado também comemorou durante algumas semanas. Embora ele não tivesse recebido tanto quanto alguns de seus amigos, estava feliz por ter mais do que Caridade.

Ele também demonstrava sua percepção distorcida de Jalyn como um rei cheio de tanta misericórdia que certas questões realmente não importavam. Ele havia tido liberdades sexuais com duas garotas que havia namorado na escola, embora isto fosse contrário aos ensinamentos que havia recebido. Ele não via qualquer conflito nisto, porque acreditava firmemente em Jalyn e no seu reino. Ele havia formado a sua própria visão da vida: “Desde que eu continue a afirmar minha lealdade a Jalyn e não machuque ninguém gravemente, permanecerei em boa posição perante o rei”. Em sua mente, Jalyn entendia que todos têm necessidades e que ninguém é perfeito. Todos os seus erros seriam cobertos no Dia do Julgamento pela misericórdia e graça de Jalyn porque ele acreditava nele de todo coração.

Depois de algumas semanas, Enganado iniciou o seu próprio negócio, assim como Independente havia feito. Ele tornou-se um construtor de residências. No princípio, era uma luta conseguir clientes. O seu modelo era excelente sob todos os aspectos, mas ele simplesmente não conseguia encontrar compradores sérios. Alguns achavam que seus preços eram altos demais; outros, simplesmente não podiam pagar por casas tão boas.

Desesperado, ele baixou os preços. Ele continuou usando o modelo inicial de casas para atrair clientes. Continuou a fazer as promessas que havia feito a princípio, mas começou a utilizar material de qualidade inferior aos que havia prometido inicialmente.

Na verdade, alguns de seus materiais transgrediam os códigos e padrões de segurança obrigatórios. Ele justificava-se mentalmente com a idéia de que os legisladores que haviam estabelecido aqueles padrões haviam sido cautelosos em excesso. Ele tinha certeza de que os materiais que havia escolhido suportariam qualquer tipo de condição atmosférica ou de pressão. A compra dessas casas parecia uma grande oportunidade para os endelitas devido ao baixo preço, por isso eles começaram a assinar contratos com maior rapidez do que Enganado podia construir. Os negócios haviam, finalmente, decolado.

Depois de dois anos, ele decidiu voltar ao ramo de desenvolvimento de terras. Estava cansado das reclamações dos clientes. Ele achava que, uma vez que a terra fosse vendida, o assunto estaria terminado. Ele não teria de lidar mais com o conserto dos itens sob garantia. Enganado encontrou uma determinada porção de terras ao preço de aproximadamente mil dólares o acre. Parecia quase bom demais para ser verdade.

Investigações posteriores revelaram se tratar de uma terra baixa próxima a um rio, sujeita a inundações. Esta informação só era do conhecimento de algumas pessoas, que eram todos seus amigos. Ele persuadiu um intendente municipal que era colega de Independente a aprovar o desenvolvimento daquelas terras sem efetuar os testes geológicos necessários. Afinal, não ocorrera nenhuma inundação ali desde que ele nascera; então, será que havia realmente algum problema? O negócio prosseguiu sem qualquer interrupção. Depois