Movido Pela Eternidade - John Bevere - Capítulo 05

Leitura do livro - Por Rosaine Dalila Scruff


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John Bevere - Movido pela Eternidade
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Capitulo 5A

O JULGAMENTO DE ENGANADO

Sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade.

Romanos 2:2

Jesus veio nos salvar de termos de pagar a penalidade eterna pelo pecado, que foi originalmente destinada a Satanás e seus anjos. A Sua vida sendo dada por nós revela o tremendo amor de Deus.

Pense nisto: No princípio o Senhor criou a humanidade juntamente com os animais, os pássaros, os insetos, as criaturas marinhas, e todo o restante da terra, inclusive a sua atmosfera perfeita. Lemos: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1:31). Então, Ele colocou uma criação perfeita nas mãos do homem, a fim de que ele a guardasse e mantivesse. Como declara o Salmista, “Os céus pertencem somente ao Senhor, mas a terra Ele deu aos seres humanos” (Salmos 115:16, NTLH). Seria responsabilidade de Adão proteger não apenas a si mesmo, mas toda a criação do arquiinimigo de Deus, Lúcifer.

Deus não queria ter robôs no jardim, que não pudessem escolher livremente amá-lo e obedecer-lhe, e assim, entre uma infinidade de árvores, uma foi colocada no centro do jardim com a seguinte ordem: “Você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore, pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá” (Gn 2:16-17, NTLH). A morte de que Ele falava não era a morte física, pois Adão não passou pela morte física senão muitos anos depois (também em resultado de sua desobediência). Em vez disso, o Senhor mostrou ao homem que ele seria cortado da vida de Deus e assumiria a natureza de Lúcifer, que é a morte.

Depois de algum tempo, Lúcifer enganou Eva pervertendo o caráter de Deus aos olhos dela. Ele conseguiu tirar o foco dela de todas as árvores à disposição, para colocá-lo na árvore proibida. Uma vez que ela considerou a árvore como sendo boa, benéfica e agradável, ela comeu, porque agora via o Senhor como alguém que “tira” e não mais como o “Doador” que Ele é. Mas a humanidade ainda não havia caído. Foi apenas quando o seu marido tomou parte naquilo que a criação de Deus assumiu a natureza da morte. Por este motivo, o pecado dele foi maior – ela foi enganada; ele não (ver 1 Timóteo 2:14).

Consequentemente, não somente Adão, mas toda a criação que havia sido colocada sob a sua autoridade imediatamente assumiu a natureza da morte. Antes da traição de Adão, os animais não devoravam e comiam carne, nem morriam. Tornados, terremotos, furações, fomes, doenças e pestes não existiam. Tudo isto foi resultado do homem não guardar o que Deus confiou aos seus cuidados. Agora, não somente a humanidade tinha a natureza da morte, como também toda a criação.

Lemos:

Contra a sua vontade, tudo na terra foi sujeito à maldição de Deus. Toda a criação aguarda o dia em que se unirá aos filhos de Deus na gloriosa libertação da morte e da corrupção.

ROMANOS 8:20-21, NLT

A natureza não foi amaldiçoada com a morte por sua escolha, mas pela insubordinação do homem a Deus. Ele não protegeu o que foi confiado aos seus cuidados. Adão submeteu não só a natureza, mas a si mesmo, sua esposa e todas as gerações futuras ao que era originalmente a maldição de Lúcifer, a separação de Deus. Que deslealdade, que traição! A essa altura Deus poderia ter dito: “A humanidade, a quem amei, abençoei, e criei perfeita, escolheu a Lúcifer em vez de a Mim; que todos eles vão para o Lago de Fogo e Nós (Pai, Filho e Espírito Santo) começaremos tudo novamente; criaremos um novo universo com seres que permaneçam leais e nos amem tanto quanto nós os amamos”.

Se o Senhor tivesse feito isto, Ele teria sido perfeitamente justo em Sua decisão. Mas por Seu imenso amor, Ele fez a promessa à humanidade de enviar um Redentor que nos libertaria do cativeiro sob o qual nos colocamos. Esse Redentor seria o Seu Filho, com quem Ele criou os céus e a terra. Então, em outras palavras, Ele pagaria o preço terrível pelo nosso pecado e a natureza da morte quando nada fez a não ser amar-nos desde o princípio. Este é um amor impressionante.

Esta é a razão do Calvário. Fico impressionado quando cristãos ficam desconcertados diante de um incrédulo que diz: “Como um Deus amoroso pode mandar pessoas que nunca ouviram o Evangelho para o inferno?” A minha resposta simples é: “A culpa não é Dele, mas nossa”. Jesus pagou o preço terrível para libertar a humanidade e depois disse a nós, que já entendíamos, que estas boas novas deveriam percorrer todo o mundo e que deveríamos dizer a todos os que nunca ouviram falar disso que fomos redimidos da maldição que trouxemos sobre nós mesmos e sobre toda a criação. Teremos de prestar contas pela nossa geração; Deus fez a parte Dele!


ASSUMIMOS ANATUREZADE DEUS

O julgamento pelos nossos pecados não apenas foi pago por Jesus, como também assumimos uma nova natureza que é à semelhança da natureza de Deus, não mais escrava do pecado. Quando uma pessoa entrega sua vida inteiramente a Jesus, ela se torna uma criatura inteiramente nova.

Quando alguém se faz cristão, torna-se uma pessoa totalmente nova por dentro. Já não é mais a mesma. Teve início uma nova vida!

2 Coríntios 5:17, ABV

Literalmente morremos quando recebemos Jesus Cristo como Senhor. A nossa velha natureza recebe a pena de morte; crucificada com Cristo aos olhos de Deus. Nasce uma pessoa nova em folha com a natureza de Deus. Assim nascemos de novo. Agora somos libertos da natureza que um dia comandou as nossas vidas. Como as Escrituras demonstram claramente: “E assim como Cristo foi levantado dos mortos pelo glorioso poder do Pai, agora também podemos viver novas vidas... O nosso antigo ser pecaminoso foi crucificado com Cristo para que o pecado perdesse o seu poder em nossas vidas. Já não somos mais escravos do pecado. Pois quando morremos com Cristo fomos libertos do poder do pecado” (Rm 6:4, 6-8, NLT). Agora podemos viver de acordo com a natureza de Cristo, não de acordo com a natureza à qual estávamos presos devido à traição de Adão.

É total ignorância um cristão desdenhar uma pessoa que não recebeu Jesus como seu Mestre pelo seu estilo de vida. O DNA espiritual dessa pessoa é pecar, e é exatamente isto que ela faz. O que é estranho e completamente antinatural é um “crente” que peca habitualmente ou intencionalmente. O motivo pelo qual coloquei crente entre aspas é porque uma pessoa que pratica o pecado pode declarar Jesus como seu Salvador e Senhor mas na verdade Ele não o é; pois se realmente assim fosse, essa pessoa manifestaria a natureza divina em sua vida. Jesus deixou isto bem claro dizendo:

As diversas qualidades de árvores frutíferas podem ser rapidamente identificadas pelo exame do seu fruto. Uma árvore que dá bons frutos nunca dá um fruto que não se pode comer, e uma árvore que sempre dá frutos ruins, nunca dá um fruto que se pode comer. Por isso as árvores que têm um fruto que não se come, são cortadas e atiradas no fogo. Sim, o meio de identificar uma árvore ou uma pessoa é pela qualidade do fruto que dá.

Mateus 7:17-20, ABV

O que Ele declara não é complexo e é definitivamente inalterado. A causa não é o fruto, mas a natureza da árvore; no entanto, isto é demonstrado pelo fruto. Se você se aproxima de um arbusto que contém uvas-do-monte saudáveis, você sabe que aquele é um arbusto bom para alimento. Por outro lado, se você encontra frutos venenosos, sabe que não é um bom arbusto. A prova, ou evidência, de que uma árvore é boa ou venenosa é pelo tipo de fruto que ela produz. Do mesmo modo, Jesus diz que a forma de identificarmos se uma pessoa é um cristão genuíno não é por aquilo que ela diz, por quanto ela pareça ser religiosa, mas sim pelo que ela faz! O fruto dela é abnegado e focado no Reino, ou é egoísta e focado no mundo, como o apóstolo João descreve em sua carta:

Não amem os caminhos do mundo. Não amem os bens do mundo. O amor ao mundo esmaga o amor pelo Pai. Praticamente tudo o que acontece no mundo – querer as coisas do seu jeito, querer tudo para si, querer parecer importante – não tem nada a ver com o Pai. Estas coisas apenas o isolam Dele. O mundo e todo o seu eterno querer, querer e querer está prestes a se acabar, mas aquele que faz o que Deus quer está destinado à eternidade.

1 JOÃO 2:15-17, MES

Foi necessário muito tempo para que Lisa e eu convencêssemos nossos filhos disto. Eles frequentavam escolas cristãs e observavam diversos colegas de turma que frequentavam a igreja regularmente com seus pais e professavam ser cristãos, mas que estavam habitualmente produzindo frutos de auto-gratificação, como vimos nas Escrituras acima, em vez de frutos semelhantes a Cristo. Aqueles colegas viviam a vida para si mesmos, em vez de buscar e ter prazer em fazer a vontade de Deus. A situação de nossos filhos na escola é apenas um entre inúmeros exemplos que eu poderia dar.

Este problema encontra-se nos lares, no mundo empresarial, e até em igrejas e ministérios. Há muitos que confessam ser cristãos mas que produzem frutos que indicam claramente o contrário.


A “CONVERSÃO” TÍPICA

O Evangelho que pregamos tem sido deturpado colocando-se a ênfase em aceitar Jesus e fazer a oração de arrependimento. Nós o confessamos como “Senhor”, e feito isto, estamos eternamente salvos. Mas não é isto que Jesus ensina. Ele diz: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus” (Mateus 7:21, NVI).

Se apenas ouvíssemos a Sua declaração sem filtrá-la através de anos de pregação, ensino, escritos e canções desequilibradas sobre a graça de Deus, veríamos que ela contradiz o nosso Evangelho moderno. As palavras Dele não poderiam ser mais claras – nem todos que fizeram a oração de arrependimento, confessando-O como Senhor, irão para o céu. E se eles não vão para o céu, existe apenas uma alternativa, que vimos no capítulo anterior.

Vamos ensaiar um culto típico de evangelismo. O pregador prega uma mensagem do tipo “venha para Jesus e receba bênçãos”. Ele fala sobre como Jesus nos dará alegria, paz, prosperidade, felicidade, saúde, o céu, e daí por diante. Não me entenda mal. É o desejo de Deus nos abençoar, mas Jesus nunca usou a bênção para seduzir as pessoas a segui-lo. Então, após o discurso de vendedor de quarenta e cinco minutos, ele pede à audiência para curvar a cabeça e pergunta se eles fossem morrer esta noite se iriam para o céu. Ele até incentiva a todos a olharem para a pessoa do seu lado direito e esquerdo e fazer a mesma pergunta, a fim de ajudá-lo a ganhá-las. “Se elas não puderem dizer ‘sim’, diz ele em seguida, “segure-as pela mão e traga-as aqui para a frente”.

Quando os candidatos vão à frente, cantam-se canções do tipo “Tal Qual Estou”. Em outros casos, a audiência apenas aplaude e sorri com os instrumentos tocando uma melodia triunfal para acompanhar a marcha deles até à frente.

Quando todos estão na frente, o ministro pede que curvem suas cabeças e repitam uma oração comum do tipo: “Pai, confesso que sou um pecador, perdoa o meu pecado. Neste dia peço que Jesus entre em minha vida como meu Senhor e Salvador. Obrigado por me tornar Teu filho. Em nome de Jesus, Amém”.

A platéia aplaude, a música toca, e os novos “convertidos” voltam aos seus assentos, “tal qual estavam”. Com a diferença de que agora eles estão enganados. Nada foi dito com relação ao arrependimento de um estilo de vida desobediente, negando seus próprios desejos para abraçar a vontade de Deus, e perdendo suas vidas para a causa de Cristo. Eles confessaram Jesus como seu “Senhor”, mas não houve uma mudança no coração. Jesus agora é apenas parte de suas vidas. Bem, permita-me informá-lo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores não entra na vida de ninguém como o segundo, ou até mesmo o primeiro, entre outros amantes rivais. Ele só entra como nosso Rei completo e total, sem que haja nenhuma pessoa, coisa ou atividade competindo para ocupar o Seu lugar em nosso coração. Ele deve ser Senhor, o que significa Mestre e Proprietário Supremo, o que significa que não possuímos mais a nossa vida.

Pense nisso. Você se casaria com alguém que lhe informasse que seria fiel a você juntamente com os seus outros amantes, mas que você estaria em primeiro lugar?

Quanto mais o Rei do universo! Será que Ele aceitaria uma noiva que diz: “Você é o primeiro de todos os meus outros amores?” Não existe relacionamento de aliança, nem a união de dois como sendo apenas um. Que engano!

Esses novos “convertidos” não permitiram que a cruz matasse a sua vida egocêntrica e abrisse espaço para que a nova natureza de Jesus fosse formada dentro deles. Eles apenas compraram a idéia de uma vida melhor aqui e a promessa do céu. É interessante. Em muitos países do mundo onde os cristãos são perseguidos, eles vão para Jesus sabendo que estão perdendo suas vidas. Hoje, nas sociedades ocidentais, vamos a Jesus para termos uma vida melhor e o céu. Mas também precisamos perder nossas vidas.

Hoje, muitos evangélicos típicos na nossa sociedade vivem no engano, em resultado do tipo de evangelho que pregamos. Os novos convertidos podem ser energizados por sua fé recentemente encontrada, participar de atividades cristãs, frequentar a igreja, e até se envolverem em evangelismo, porque tudo é muito novo e empolgante. É como estar em um novo clube, tentar um esporte novo, frequentar uma nova escola, ou trabalhar em um novo emprego. É tudo muito novo, mas eles não fizeram o que Jesus mandou que todos os verdadeiros seguidores fizessem, que é calcularem o custo de segui-lo e então tomarem a decisão permanente de pagar o preço de terem suas vidas entregues ao Seu serviço (ver Lucas 14:27-33).


PERDER PARA GANHAR

É uma troca; temos de entregar toda a nossa vida, e no lugar dela recebemos a vida (natureza) dele. Jesus transmite isto repetidamente:

Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue [esqueça, ignore, deserde, e perca a si mesmo de vista], tome a sua cruz e [unindo-se a Mim como discípulo e apoiando os que estão comigo] siga-Me [continuamente, apegando-se firmemente a Mim].

MARCOS 8:34, AMP

Devemos nos apegar firmemente a Ele continuamente. Não se trata apenas de uma oração feita uma vez para depois voltarmos à vida normal, com a diferença de que agora você está no clube dos “nascidos de novo” e seu destino é o céu. Jesus continua:

“Se você tentar guardar a sua vida para si mesmo, você a perderá. Mas se você abrir mão da sua vida, por amor a mim, e por amor às Boas Novas, encontrará a verdadeira vida” (Marcos 8:35, NLT). A Amplified Bible declara isso deste modo: “Quem abrir mão da sua vida [que só é vivida na terra] por amor a mim e ao Evangelho, a salvará [a sua vida mais elevada, e espiritual no reino eterno de Deus]”.

É uma troca definitiva; abrimos mãos de nossos direitos como possuidores das nossas vidas para seguir os desejos dele, e em troca recebemos a vida eterna dele. Com o Evangelho que é pregado hoje, não enfatizamos este aspecto extremamente importante de seguir a Jesus; só informamos os benefícios. Na essência, pregamos as promessas da ressurreição sem pregarmos o impacto e a decisão da Cruz.

Isso poderia ser comparado ao jovem que vê um comercial de recrutamento militar na televisão. Ele observa um elegante marinheiro mais ou menos da sua idade, vestido com um uniforme impecável no convés de um navio notável, viajando por mar aberto, com um lindo céu cristalino, sorrindo com seus companheiros. O comercial então mostra este marinheiro nos portos de todo o mundo, e tudo isso de graça. O jovem imediatamente se apresenta ao recrutador e se alista. Ele não lê as condições para o alistamento porque está concentrado apenas nos benefícios. Ele está muito feliz; agora terá a oportunidade de ver o mundo, de se tornar parte de uma grande instituição, e de fazer muitos amigos novos.

Entretanto, ele logo descobre no treinamento básico que não pode dormir até às 9 horas como estava acostumado a fazer. Recebe ordens de cortar seu cabelo longo do qual tanto gosta. Ele não pode frequentar muitas reuniões sociais, porque não pode deixar a base, a não ser por dois dias por mês. E o que é pior, ele está em um programa disciplinar que não concede tempo para diversão. Enquanto isso, ele está limpando banheiros e refeitórios, e fazendo flexões e outros exercícios de treinamento bastante difíceis. Ele perdeu aquele tempo abundante de lazer que tinha e está desabando na cama todas as noites de exaustão. Ele ainda está esperançoso, pois sabe que logo estará no navio. Quando o treinamento básico termina, ele é indicado para um navio, mas a intensidade de trabalho é a mesma, com a diferença de que agora é em mar aberto. A guerra estoura, e agora ele se vê lutando em uma batalha para a qual ele não se candidatou.

Ele se alistou porque aquela era uma vida que ele jamais poderia oferecer a si mesmo, e era tudo grátis. Sim, era grátis, mas, na agência de recrutamento, ele não atentou para os detalhes de que isto lhe custaria toda a sua liberdade. Em vários aspectos, ele agora se sente ofendido. Sente-se enganado; aos seus olhos, foi-lhe vendido um pacote que só lhe mostrava os benefícios, mas não indicava o custo pessoal.

Te